Filé mignon, picanha, paleta e pernil são cortes famosos e muito apreciados, mas você sabia que eles também são encontrados na carne de cordeiro? O mais comum é lembrar logo do carré francês, que, no entanto, é apenas um dos variados e saborosos produtos oferecidos pela macia, suculenta e saudável proteína. Ainda assim, a média anual de consumo de cordeiro no Brasil gira em torno de 400 gramas – valor que representa um décimo do consumo total da carne de frango, por exemplo.

 

De acordo com estudo desenvolvido pela Embrapa, somente 25% das pessoas que já provaram carne de cordeiro a consumem regularmente. Com o intuito de elevar esses índices, produtores da região central do Paraná têm apostado em cortes com elevado padrão de qualidade, garantindo melhor rendimento, acabamento e sabor final. “Os cordeiros, ou seja, animais com menos de um ano de idade, têm a precocidade que garante ao consumidor uma carne macia, suculenta e com sabor suave, além de ser uma excelente fonte de proteína”, observou a zootecnista Janayna Navroski.

 

Em seu canal em uma rede social, com mais de 100 mil inscritos, o consultor em cortes e workshops Gerson Almeida apresenta receitas simples e sofisticadas, como o “cordeiro na cerveja” e o “french rack de cordeiro”.

 

Os vídeos dessas receitas estão entre as mais assistidas do canal, fato que corrobora com a perspectivas de que há interesse genuíno e crescente no consumo de carne de cordeiro.

 

“Aqui está a importância de se conhecer a origem do alimento consumido, de se ter a garantia de qualidade e principalmente confiabilidade de que o produto foi acompanhado por pessoas com o mais alto conhecimento técnico, gerando uma carne de qualidade e padrão elevados”, observou Almeida, que é proprietário do Clube da Carne de Curitiba (PR).

Por sinal, o preparo é muito mais simples do que se pode imaginar, apontou a zootecnista Janayna Navroski.

 

“Uma carne de animal jovem não precisa de temperos diferenciados no preparo. Os cuidados devem ser apenas em relação ao processo de descongelamento e à quantidade de sal a ser utilizada”, explicou.

 

Ainda existe uma confusão natural entre a carne de cordeiro e a de carneiro, mas a diferença está justamente na idade, conforme explicado pela profissional: o cordeiro é o animal com até um ano de vida. Os pratos produzidos com carne de cordeiro são tão variados quanto os de qualquer outra, com a diferença de oferecer sabores muito específicos e atraentes.

Facilidade e qualidade que podem estar levando a uma mudança comportamental gradativa dos clientes, conforme observou Luiz Alberto Orth, gerente de compras do Supermercado Allmayer, de Cascavel (PR). “A cada dia, o consumidor de modo em geral está buscando produtos de melhor qualidade, e na carne de cordeiro também temos percebido essa tendência”, analisou.

 

Rastreabilidade & Consumo

 

Além da falta de tradição e conhecimento sobre o cordeiro, experiências desagradáveis proporcionadas por carnes mal-acabadas ou de procedência duvidosa são apontadas como vilões do consumo da proteína no Brasil. “Um animal não preparado corretamente para o abate deixa a carne mais dura, fibrosa e com um sabor mais acentuado. Se a isso ainda se somar um alto teor de gordura, o sabor não irá condizer com o que uma verdadeira carne de cordeiro deve oferecer, tornando a experiência muitas vezes não muito agradável”, observou Gerson Almeida.

 

Diante disso, produtores e associações dos criadores de ovinos têm orientado os consumidores a priorizar produtos com procedência comprovada, a chamada rastreabilidade.

 

A rastreabilidade é todo documento que acompanha o animal, contendo informações desde o nascimento até a mesa do consumidor, explicou Janayna Navroski. “Dessa forma, podemos conhecer a origem do produto, quando e onde nasceu o animal, quais os manejos realizados, peso e rendimento de carcaça. Também é através da rastreabilidade que podemos elencar os pontos positivos do animal e da carcaça, e usá-los como ferramenta de pesquisa e melhorias”.

 

Conhecer a procedência da carne se tornou ainda mais fundamental no caso do cordeiro, uma vez que o abate e comercialização informal da carne prejudicam não só a saúde humana como toda a cadeia produtiva da ovinocultura. “A rastreabilidade representa a confiança de estar adquirindo um produto com certificação de qualidade, sanitária e nutricional. É saber que existem pessoas trabalhando para melhorar o produto que se põe na mesa, com segurança alimentar, sem perder a produtividade no campo”, frisou a zootecnista.

 

Diferenciais do Cordeiro

 

De fato, a carne de cordeiro é produzida para ser diferenciada. A fim de atingir um padrão de qualidade elevado, os cuidados começam no campo, com as avaliações dos animais, que são selecionados para reprodução e abate, considerando-se o desempenho zootécnico. “Todo esse processo garante a segurança alimentar, que é um ponto forte do Cordeiro Guarapuava da Cooperaliança. Temos a preocupação de oferecer ao consumidor uma carne livre de qualquer problema sanitário, com a certeza de que houve bem-estar animal em todo o processo, garantindo a qualidade do produto”, enfatizou Janayna Navroski.

 

Uma cadeia de valor que conta com a consciência e o empenho dos ovinocultores e resulta na satisfação do consumidor final.

 

Por conta disso, a carne de cordeiro, antes vista como opção apenas para ocasiões especiais, está conquistando o paladar de milhões de brasileiros e levando a uma mudança cultural gradativa, em prol do consumo rotineiro de uma proteína saborosa e acessível.

 

Fonte: G1